Postado Por : Emerson Wendt quarta-feira, 14 de agosto de 2013


Até março desse ano, 666 aparelhos foram roubados na capital

Escrito por Rafael Soares, Extra:

A tecnologia se tornou aliada fiel da polícia no combate ao crime. No último mês de maio, pelo menos um bandido por semana foi preso na capital graças a celulares roubados. Para conduzir esse tipo de investigação, agentes da polícia passaram a conviver com uma nova realidade: entender o sistema operacional de diferentes smartphones e trabalhar com ferramentas modernas de rastreamento e compartilhamento de dados desses aparelhos.

Fonte da imagem: Torpedogratis.info
A Delegacia de Repressão de Crimes de Informática (DRCI) presta consultoria para as distritais nesse tipo de caso. Seus agentes são treinados para transformar dados colhidos nos aparelhos em pistas para chegar aos criminosos. O delegado Gilson Perdigão, titular da especializada, afirma que, em casos em que o celular roubado é um iPhone, a busca é facilitada já que a Apple, que fabrica o aparelho, também criou o iCloud, serviço que armazena dados em nuvem.

— Usamos recursos da Apple e temos ferramentas próprias de rastreamento. Na maioria dos caso, fazemos o que chamamos de triangulação: checamos agenda, fotos, e-mails e redes sociais do aparelho e para chegar ao receptador — conta.

Um exemplo desse tipo de investigação é a que levou ao indiciamento dos bombeiros José Carlos Fernandes, 48 anos, e Robson do Nascimento, 32 anos, em outubro do ano passado, acusados de terem roubado um tablet e um iPhone de um apartamento em chamas no Leblon. Agentes só chegaram ao aparelho e aos bandidos após vasculharem, pelo iCloud, a agenda do aparelho roubado, que tinha números identificados como "casa", "pai" e "mãe" do receptador.

O receptador do aparelho roubado no apartamento em chamas era um menor de idade que residia em Ramos. O celular foi recuperado, mas, diante da recusa do jovem em colaborar com as investigações, os bandidos tiveram de ser identificados também com a ajuda do aparelho. Na agenda, um contato chamou a atenção: "Bomb Robson".

— O celular tinha sumido após o incêndio. Com o contato, vasculhamos a linha telefônica e chegamos ao nome do bombeiro: Robson do Nascimento. O Corpo de Bombeiros informou que ele participava do combate ao incêndio — conta Perdigão. José Carlos, que combatia fogo no apartamento, responde na Justiça por furto qualificado. Já Robson, que estava na escada Magirus, foi indiciado por receptação.

Presos por smartphones

No dia 21 do último mês de maio, Guilherme Carvalho Farias, 24 anos, deixou seu celular cair enquanto fugia na garupa de uma moto com R$ 5,5 mil roubados de um assalto na Tijuca. Um dia depois, Guilherme foi preso identificado pelas fotos que ficaram gravadas no aparelho.


No mesmo dia, Leonardo Maceno Barbosa, 24 anos, roubou um celular dentro de um ônibus em Icaraí, em Niterói. A vítima registrou ocorrência na delegacia. Algumas horas depois, agentes chegavam ao local onde estava Leonardo, denunciado pelo rastreador instalado do aparelho.

Já Edmilson José dos Santos, de 65 anos, era um especialista em furtos de celulares de luxo. Seu objetivo primordial era a revenda dos aparelhos, que furtava em festas de luxo e blocos de carnaval. Entretanto, no fim de abril, Edmilson deu um dos celulares — um iPhone roubado de dois turistas suecos — a sua filha. Foi a partir dos contatos dela e da conta de e-mail que ela acessava, que os agentes conseguiram localizá-la, em Queimados. Edmilson foi preso no dia 3 de maio, mas pagou fiança e responde em liberdade pelo crime.

Dicas da polícia

O inspetor Rodrigo Valle, chefe do Grupo de Operações dos Portais da DRCI, responsável pelo rastreamento dos celulares, dá dicas para que o usuário possa ajudar a polícia a recuperar seu aparelho.

Deixe habilitada a opção de localização geográfica do aparelho. "Muita gente tem medo de habilitar essa função por achar que pode ser rastreada. No entanto, sem isso, não conseguimos nem começar uma investigação", afirma Vale.

Para a polícia fazer o trabalho de rastreamento, é necessário que o aparelho não esteja bloqueado. "O recomendável é que, assim que se der conta do desaparecimento do celular, comunique à polícia, antes de ligar para a operadora e pedir o bloqueio. Em um dia de trabalho, é possível fazer a localização do aparelho", explica o inspetor.

Para facilitar o trabalho da polícia, o usuário precisa informar todos os dados do aparelho, desde perfis em redes sociais a contas de e-mail atreladas. "É normal que bandidos usem as ferramentas dos aparelhos e esqueçam que a conta é de outra pessoa. Desse modo, conseguimos chegar a receptadores que postaram fotos no perfil do dono", diz.

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